Emicida Segue Improvisando

by André Maleronka July 22, 2010

Foi no estúdio Loud, na zona oeste de São Paulo, onde o nosso futuro criador Emicida se preparava para fazer uma sessão de improviso com Thiago Beat, transmitida ao vivo durante a tarde de hoje pelo site da MTV Brasil no blog Coletivo, que conversei sobre o andamento da sua nova – e muito aguardada – mixtape. Seu novo lançamento, que conta mais uma vez com contribuições instrumentais de beatmakers e produtores de diversos cantos do Brasil, está sendo composto no seu recém-inaugurado QG Laboratório Fantasma – um apartamento na zona norte batizado com mesmo nome de seu selo independente. O áudio da sessão de improviso – absolutamente impressionante – você confere aqui amanhã. E, na semana que vem, entra no ar o perfil completo de nosso criador, com uma entrevista em vídeo joia e outras cositas más. E volta mesmo, que vale a pena. Eu tô arrepiado até agora.

The Creators Project: Em que pé que está a nova mixtape?
Emicida:
Graças a Deus a gente já tá gravando as vozes. Estamos virando as madrugadas, acredito que até quarta-feira tá tudo pronto.

Legal, quantas fechadas já?
Agora? Cinco! [risos]

Mas as vozes você está gravando onde?
Na casa de um camarada meu, o Felipinho Tixaman. Tem um equipamento bom na casa dele, fizemos a primeira mixtape lá. E vou fazer algumas coisas aqui no Felipe [Vassão, produtor do sucesso “Triunfo]. Aqui é mais mão do que lá, pra várias pessoas.

E dessas fechadas, os beats são de quem?
Cara, tem uma com o [André] Laudz, uma com o Casp, um com um moleque lá de São José dos Campos, chama Skeeter. Esse moleque tá com umas paradas da hora, ele ficou mó feliz quando disse que ia usar beats dele. E tem as do Renan Samam.

Mas quantos sons vão ter na mixtape?
A gente se internou nas últimas duas semanas lá, num intensivão: vamos produzir coisa nova e matar o que já tem também. Mas acabou que surgiram várias músicas novas nesse meio tempo. Então agora a gente tá passando por um processo doloroso, que é tirar músicas, porque não vai caber tudo. Vai sobrar pra próxima mixtape ainda.

Tanto na mixtape quanto no EP, você seguiu temáticas. Ou de falar só de um assunto de várias maneiras ou de dar um panorama de sua história, mostrando vários tipos de som. Nessa você já encontrou esse caminho?
Na real, acho que o que define a cara dessa nova mixtape é uma volta pras raízes. Tem uma frase minha que gosto muito: É necessário voltar ao começo”. E acredito que nesse momento é o que estou buscando, até pela mixtape me dar essa liberdade. É uma parada rápida, você entra em estúdio e em um mês você lança. Em relação aos temas, todas as coisas que tenho visto, como rumos de mercado que não me agradam, as coisas que tem acontecido no rap. Algumas pessoas falam que não, mas acho que estamos vivendo a “Golden Era” do rap nacional agora, e eu não gostaria de deixar isso passar batido, tá ligado? Tudo isso calhou com essa segunda mixtape. Claro que vou dar prosseguimento a primeira, é um segundo capítulo, mas busco não falar as mesmas coisas, busco outros temas. Falo de coisas que ainda não falei, eu falo muito de religião, mas aos meus olhos, como eu vejo. É mais de fé do que de religião. Tem uma música chamada “Santo Amaro da Purificação” que é bonita, com instrumental do Casp, é um bagulho bem diferente de todas as coisas que já falei. Essa é minha meta, ser livre dessa forma. É como fazer um filme ou escrever um livro, você vai mostrar uma coisa através da sua perspectiva, e por mais “underground” que seja, você quer que as pessoas entendam aquilo. Gosto de passar situações, contar histórias que eu vi e que vivi. Vou continuar com isso, mas agora com o pé no chão e sabendo onde eu tô. Não posso me manter como um moleque esperando um disco virar na sorte, tá ligado? Não posso mais ser isso, agora tem uma demanda.

É louco, porque você tem uma visão de mercado diferente. Você não pensa: “Preciso fazer um hit”.
Não. Acho que é muito louco quando uma música emplaca na rádio, mas busco construir uma parada muito mais sólida do que ter só uma música que toque o verão inteiro. E isso ia me trazer uma moeda, tá ligado? Mas também não tô dizendo que não gostaria de estar nesse bolo, mas o que me trouxe até aqui foi outra coisa, e cortar isso agora e buscar entrar nesse outro jogo… Não é isso, nunca fiz música com esse propósito. As pessoas que me acompanham e as que passaram a me acompanhar, que todo dia conhecem minhas músicas, elas vêm junto por causa da espontaneidade, do direito que tenho de ser livre ali dentro e colocar meu coração ali. Eu vivi isso e transformei em rap. Graças a Deus muitas pessoas têm conseguido entender isso e se identificado. Fora que sou meio avesso à esse bagulho de trancar o rap nas baladas, construir a carreira em cima disso. Pra rádio até acredito mais, pra festa não boto muita fé que a coisa tome longevidade. Com exceção de quem trabalha nelas, ninguém vai à festas por 20 anos. E eu quero estar trampando daqui a 20 anos.

Com quem você sonha gravar?
Adoraria poder escrever com o Paulinho da Viola. Ele e o Wilson das Neves são caras que escuto todo dia, tem uma pureza na música deles que… Eu gostaria muito de estar próximo. Só de estar perto dos caras eu estaria feliz. Conheci a empresária do Wilson das Neves e ela me disse que ele gosta de mim, fiquei todo besta [risos]. Até agora tô duvidando.

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