ADA, Um Balão De Hélio Criativo
A história de Ada Lovelace comove corações nerds: é mulher; matemática; nobre e, na melhor tradição do ultraromantismo de seu pai, era fraca e doente. Sabemos que ela inventou o primeiro algorítimo para computadores e podemos chamá-la de a namoradinha dos programadores. Não sem justificativa, há muitas homenagens à condessa dos números na produção artístico-tecnológica que costumamos louvar. Exemplos: Ada 2.0b, de Jeraman e ADA – analogue interactive installation de Karina Smigla-Bobinski, exposta no FILE.
ADA é um balão de hélio redondo e transparente, com espinhos pretos feitos de carvão. A ideia é que o balão seja colocado em movimento na sala (inicialmente) branca onde foi exposto. O resultado são os desenhos que o carvão produz conforme flutua e gira pelo teto e paredes da sala. Há dois aspectos interessantes sobre o trabalho de Bobinski: preferir um balão de hélio a um robô para produzir desenhos e depender de elementos externos para que a “máquina” funcione. É fundamental lembrar que os algorítimos de Ada Lovelace eram puramente matemáticos e o computador criativo que a encantadora de números imaginou nunca foi construído. E é interessante notar como, depois de todas as homenagens high-tech que a matemática recebeu, encontremos uma que volta aos princípios físicos da movimentação do gás para criar uma instalação interativa.
A peça fica exposta no FILE até o dia 21 de agosto.




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