Bytebeat: Um Novo Gênero De Música Eletrônica
Já ouviu falar sobre o mais novo gênero de música de computador a surgir na internet? Ele se chama “bytebeat”, e se você não faz a menor ideia do que se trata não se desespere, ele apareceu a apenas cinco meses. Bytebeat é uma música algorítmica criada a partir de uma linha de código que foi descoberta/inventada enquanto o artista low-tech e programador finlandês Ville-Matias Heikkila (aka Viznut) e seus amigos experimentavam com a linguagem de programação C, criando fórmulas de uma linha que pudessem produzir uma saída de áudio (veja abaixo).
É tipo um chiptune despojado minimalista de uma linha só e é o mais recente desenvolvimento na longa história da música feita por computador, que bipa por aí desde os anos 50—leia esse post do Brain Pickings (em inglês), sobre um documentário da PBS de 1986, para uma análise mais profunda das bases da música de computador.
Mas esse gênero em particular parece ter surgido por acaso, nascido de experimentação e de um olhar hacker para detalhes. Viznut discute o surgimento do bytebeat num post seminal chamado “Algorithmic symphonies from one line of code — how and why?” (Sinfonias algorítmicas a partir de uma linha de código – como e por quê?), onde fala sobre a descoberta de que esses curtos pedaços de código podem produzir música quando repetidos: “Eu descobri esse programa VIC-20 de 16-bit cuja saída musical me fez pirar”.
Depois disso ele começou a “experimentar com programas C curtos que despejam dados de áudio PCM [modulação por código de pulsos]” e desses experimentos surgiu o primeiro vídeo (acima). Aí alguém imaginou que mudando os parâmetros na fórmula era possível criar padrões de percussão e harmonias, o que resultou no segundo vídeo abaixo.
Esses vídeo desencadearam uma onda de atividade online quando as pessoas começaram a experimentar com essa descoberta e assim o movimento explodiu, instantaneamente se tornando uma questão colaborativa, com todo mundo compartilhando suas descobertas. Viznut disse:
Se as experimentações continuarem nesse ritmo, não vai levar mais que algumas semanas para encontrarmos o Graal: um programa muito curto, talvez até mais curto que um link Spotify, que sintetize todos os elementos normalmente associados com uma música pop: ritmo, melodia, linha de baixo, progressão harmônica, macroestrutura. Talvez algo que soe um pouco como vocais? Veremos.
“Programas bem curtos em C e expressões em Javascript gerando saída musical.”
Kyle McDonald, o artista de mídia, até já começou a explorar o pontencial visual do método, transformando as linhas de código em imagens bitmap glitch, uma das quais você vê acima.
Mas qual é o objetivo de reduzir uma partitura musical a uma única linha de código que se repete para gerar uma composição? É pura preguiça da parte dos músicos? Isso se originou (como muitas coisas online) de um desejo de flexionar um músculo tecnológico e mostrar ao mundo do que eles são capazes? Ou será que isso é uma nova forma de expressão musical genuinamente interessante onde humano e máquina são dois amigos ensaiando na garagem dos pais, fumando um e criando chiptunes bem legais? Isso só a história vai poder dizer.
E se você quiser tentar, basta usar as ferramentas de site criadas por Viznut e Bemmu, uma das quais é esse utilitário online de Javascript ou esta ferramenta criada por Paul Hayes. Já existe até um aplicativo sintetizador de música generativa para iPad chamado Glitch Machine criado pela Madgarden.
Se você está procurando por mais informação, assim como os posts do Viznut, outra grande fonte é a página da canonical.org sobre bytebeat, onde eles o definem como “um pedaço de música rítmica e de certa forma melódica sem partitura, instrumentos ou osciladores reais. É simplesmente uma fórmula que define um formato de onda como uma função de tempo…”




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