Kateřina Winterova Brilha Muito Em Praga

por Tomáš Zilvar 21 de out.

Tomáš Zilvar, o editor da VICE Tchecoslováquia, adora The Ecstasy Of Saint Theresa (a banda de Praga, não a escultura), especialmente porque ele é casado com a vocalista Kateřina Winterova. Ele nos conta mais sobre a abordagem deles da tecnologia, o equipamento utilizado nos shows e por que o EOST é uma das bandas mais interessantes da Europa Oriental hoje em dia.

Este ano marca o vigésimo aniversário do EOST, a banda punk-psicodélica que começou com Jan P. Muchow, Jan Gregar, Petr Wegner e Irna Libowitz em 1990. Isso pode não parecer grande coisa para pessoas do ocidente, mas em tempos pós-comunistas mesmo a existência de um Mac era coisa saída de um livro do Ray Bradbury. Usar computadores para fazer música? Isso nem sequer existia. Naquela época conseguir papel higiênico macio ou um cacho de bananas era muito difícil. Tínhamos acabado de entrar nos anos 90, a Cortina de Ferro tinha acabado de cair na nossa cabeça e os Rolling Stones finalmente vieram fazer seu primeiro show aqui. Até o Frank Zappa decidiu aparecer (na verdade ele era um grande amigo do nosso presidente), assim como o Lou Reed e todos esses caras da pesada. Mas nenhum deles usava computadores, talvez um sintetizador e olhe lá. Mas esse era o clima em Praga no começo dos 90—todo mundo queria fazer rock.

Mas o Jan P. Muchow era um verdadeiro pioneiro. Ele batizou sua banda como um nome bem peculiar e começou a tocar riffs psicodélicos acompanhados de um computador. O mais impressionante foi que poucos anos depois ele assinou um contrato de cinco discos com o mesmo selo do Portishead, fazendo do EOST uma das primeiras bandas tchecas a ser notada pela MTV.

Pensei em usar o computador como outro instrumento porque o som da guitarra, que costuma ser dominante, não satisfazia mais todas as minhas necessidades. Minha imaginação queria mais, então vi isso como algo que poderia ampliar minha capacidade de me expressar. O computador provou ser bem mais que uma ajuda, lembra Muchow, concluindo: Hoje isso parece uma síntese absolutamente natural, nos acostumamos a ser interligados pela tecnologia. Usamos computadores para tudo, da mesma maneira que fazíamos com os instrumentos clássicos.

Jan P. Muchow e Kateřina Winterová

Hoje, The Ecstasy Of Saint Theresa tem apenas dois membros: Jan P. Muchow e Kateřina Winterová. Winterová entrou em 1999, desde lá eles fizeram três discos e alguns EPs, que você pode baixar no site deles. Quando Muchow não está tocando com a banda ele compõem músicas para filmes e para o teatro, e Kateřina é atriz do Teatro Nacional há dez anos. Juntos, eles são um dos mais interessantes produtos da cena musical pós-comunismo na Europa Oriental.

Eles provaram isso em seu show mais recente no já mencionado Teatro Nacional em Praga. A apresentação—realizada para uma platéia de cerca de 400 pessoas—trouxe música eletrônica indie e tecnologia para o espaço clássico do século XIX. O ápice do show foi o vestido de LED da vocalista, que acendia em sincronia com a música “Guns and the Stars” com ajuda de um controlador midi.

O vestido é baseado nessa deformação profissional minha, por ser atriz eu preciso de um figurino, diz Winterová. Vi o trabalho de Moritz Waldemeyer e me identifiquei. Às vezes posso ser um pouco específica demais, mas é exatamente esse o caminho que quero tomar. O vestido foi desenhado por uma das maiores estilistas de Praga, Denisa Nová, que tem uma visão mais abstrata. Escolhemos um material condutor e fizemos o vestido com tiras clássicas de LED que você encontra em qualquer lugar. Nosso designer de iluminação, Jindřich Trapl, cuidou do programa. Ele conectou o vestido à internet e o sincronizou com a música e o cenário. O mais emocionante foi quando coloquei o vestido no ateliê dele e havia todos esses fios saindo dele. Jindřich começou a conectar a eletricidade através de um transformador de ferrorama, e eu acabei queimando a barriga porque tive que ficar parada lá por uma hora. Quando estava terminado, ninguém conseguia tirar os olhos dele!”

Clipe mais recente do EOST, uma versão de uma oração do século XII sobre o Santo Vaclav.

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