Máquinas Artísticas Que Te Fazem Vomitar
O artista Ryan C. Doyle construiu uma Jet-Powered Bike e uma mão gigante que pode amassar um carro. Mais recentemente, ele tem fabricado “carnival rides” – aquelas atrações de parque de diversões que giram como uma centrífuga – que fazem as pessoas pensar sobre desastres nucleares ou se sentirem enjoadas. Descubra o motivo abaixo.
Em que você está trabalhando agora?
Estamos fazendo um programa sobre uma peça chamada Regurgitator. É um sistema pulse jet que te faz a pessoa rodar e vomitar o almoço. Então você senta e fica rodando na frente da audiência. Como participante, você pode vomitar não só seus pensamentos, mas também a comida.
Você pode nos falar mais sobre pulse jets?
Quando eu estava no Madagascar Institute, no Brooklyn, começamos a fazer coisas com esses pulse jets sem válvula. Depois que saí de lá, comecei a fazer as coisas sozinho. Um festival em Zagreb, na Croácia, chamado Device Art me chamou para construir alguma coisa em cima disso. E pensei “Acho que vou fazer outro brinquedo giratório usando pulse jets”. É o terceiro de uma série de “carnival rides” que criei. A ideia por trás do Regurgitator era fazer as pessoas vomitarem enquanto estivessem expostas como uma peça de arte, ou enquanto interagissem com uma máquina que teoricamente é uma peça de arte, como um comentário sobre a necessidade das pessoas do mundo da arte em fazer referência a trabalhos de gerações anteriores. De certa forma, acho que isso cria um ótimo eco de ideias através das gerações, mas por outro lado é apenas uma apropriação das ideias de outras pessoas que você ingere e vomita, o que já não é tão interessante.
E as pessoas realmente ficam lá até vomitar?
Sim, mais ou menos 35 por cento das pessoas ficam lá até vomitar.
Onde você normalmente fica? Sei que você estava em Chernobyl com Eva e Franco Mattes trabalhando no Plan C, e que agora você está em Manchester.
Minha loja está em Oakland agora, mas quando eu voltar, vou a Detroit e vou procurar um lugar em Dearborn ou perto do centro. Há muitos artista indo pra lá agora.
Dearborn é interessante porque Henry Ford o projetou como um lugar para os operários viverem e organizou tudo de acordo com a raça e a posição dos trabalhadores na fábrica. Muito esquisito.
É.
Você constriuiu a “carnival ride” para o Plan C com peças de outras máquinas encontradas em uma zona radioativa. Por que você a chamou de Liquidator?
É assim que eles chamavam esses bombeiros voluntários que tentavam controlar a primeira explosão e subjugá-la pelo primeiro dia e meio. Eles realmente se expunham a esses níveis altos de radiação. Então os chamavam de Liquidators.
Por que essa fascinação com radioatividade? Tem a ver com uma facinação pelo futuro?
Em 2007, descobriram um fungo radiotrófico que vive de radiação do mesmo jeito que plantas vivem de luz solar. Alguns teóricos e físicos quânticos acham que a descoberta deste fungo prova que pode haver vida em outros planetas onde haja abundância de radiação.
Como você chegou de Chernobyl às “carnival rides”?
Roubando essa máquina, demos a oportunidade das pessoas absorverem a história de Chernobyl sob uma luz mais positiva. Não como “Ah, todas essas mortes e tragédias aconteceram”. Pensamos que podíamos fazer isso de um jeito que as pessoas curtissem. Então poderiam, através disso, se fazer mais perguntas sobre Chernobyl.
Então a máquina é um jeito de fazer a história mais interativa?
É. E acho que funcionou para muitas pessoas. Especialmente fazendo um evento público como fizemos. Isso não atinge só o pessoal das artes, mas um monte de crianças saem da escola e ficam ali paradas por horas, brigando por assentos e se divertindo. Aos poucos, eles começam a se perguntar coisas como “Por que você fez isso?” ou “O que é isso?”, o que é a deixa para explicarmos o projeto a eles.
Boa parte de seus projetos criativos lida com colaborações. Por que você prefere trabalhar com outros artistas e não sozinho?
Colaborando com outras pessoas, você vê como eles respondem a cada situação. Você começa a construir uma comunidade e acho que isso é muito importante para um artista. É legal para mim sentar no meu quarto e desenhar sozinho, mas é muito mais interessante pensar em uma ideia que possa se concretizar na cabeça dos outros. Todos precisam estar juntos para algo ser real.





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