O Último Golpe De Hollywood: O Enredo Desesperado Por Trás Da SOPA

por Motherboard.tv 10 de jan.

Olhe para qualquer outro período no passado onde houve um rápido progresso tecnológico e você vai encontrar dois grupos de indivíduos: pioneiros incansáveis buscando novos territórios em benefício de todos e membros da velha ordem que nadam contra a corrente lutando contra os fantasmas de sua própria obsolência. O debate em torno do SOPA (Stop Online Piracy Act—um projeto de lei de combate à pirataria online da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos) chegou exatamente a esse ponto—um último esforço desesperado de Hollywood e da elite da indústria fonográfica para preservar seu império decadente e que pode custar a liberdade de expressão, inovações e a segurança de pessoas comuns.

Não é a primeira vez que isso acontece, e certamente não será a última. Algumas centenas de anos atrás temos um famoso exemplo disso citado pelo Professor de Direitos Autorais, Lawrence Lessig, em que o compositor de marchas John Philip Sousa protestou publicamente contra uma máquina chamada gramofone que tocava músicas gravadas sem a necessidade de músicos presentes.

“Quando eu era menino… em frente de cada casa nas noites de verão, os jovens se reuniam para cantar músicas novas e antigas”, disse Sousa numa audiência no Congresso americano em 1906. “Hoje você escuta essas máquinas infernais continuamente noite e dia. Não vai nos sobrar uma única corda vocal. As cordas vocais serão eliminadas pelo processo de evolução, como o rabo foi eliminado nos humanos que descenderam do macaco”. Ironicamente, ele estava se mobilizando contra a mesma indústria fonográfica que já se fez campanhas contra a fita cassete, e que hoje se levanta contra a internet.

Assim como a estranha declaração de Sousa, a abordagem exagerada e equivocada da SOPA para combater infrações online de direitos autorais é baseada em ideias ultrapassadas sobre a natureza da tecnologia e da economia dos trabalhos criativos. Mas é importante lembrar que as instituições incumbidas de levar isso adiante simplesmente não se importam. Para eles, a autonomia oferecida ao indivíduo pela onipresente rede de computadores é um obstáculo que deve ser formatado para seu próprio benefício ou simplesmente destruído. A SOPA faz um pouco das duas coisas.

Mas para a cultura em expansão dos negócios online, indiscutivelmente um dos únicos setores da economia norteamericana que não foi tão duramente afetada pela crise atual, a natureza da internet gerou uma renascença de criatividade em rede. Muitos pioneiros da web, como o cofundador da plataforma Kickstarter, Yancey Strickler, veem esse conflito como o sintoma de uma geração desconectada entre os titãs da velha mídia e os inovadores da era da internet. “São as pessoas que cresceram na internet versus as pessoas que ainda não a usam”, disse em sua entrevista para David Carr do New York Times. “Em Washington, eles simplesmente não enxergam como a internet reconfigurou completamente a sociedade para além das classes sociais, da educação e da raça. A internet ainda não é real para eles.”

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