O Vídeo Mapping Euro-Brasileiro Do United VJs Na Finlândia

por Fergs Heinzelmann 26 de jan.

Já viram o novo vídeo dos United VJs? O coletivo de artistas composto por brasileiros e europeus emplacou sua arte em mais um destino no mapa mundi. Dessa vez foram os finlandeses que puderam ver ao vivo o trabalho do grupo. Na virada do ano, em Turku, projeções que reproduziam grafites e grafismos estamparam as paredes do prédio de estilo art nouveau, na Finlândia.

Os responsáveis pela empreitada na virada de ano gelada na Europa foram os VJs Zaz, Spetto, Roger S. e Viktor Vicsek, com trilha de Adam Freeland & Nico de Transilvânia. A apresentação de 10 minutos fazia parte de um projeto chamado Eurocultured Street Culture que durante 2010 e 2011 organizou vários festivais na Europa, reunindo trabalhos de jovens da Finlândia, Reino Unido, Eslováquia e Romênia. Em maio do ano passado Turku foi escolhida como a capital desse projeto. A projeção Unveil do coletivo de VJs marcou o final do ano culturalmente agitado na cidade.

E já que a cidade finlandesa não é logo ali e tem um clima bem diferente do Brasil, perguntamos para os artistas do United VJs como foi essa experiência. Olha o que eles falaram:

The Creators Project: Como foi a experiência de embalar uma festa de reveillón num clima completamente diferente do brasil? A receptividade finlandesa foi suficiente para distrair do frio?
United VJs:
O clima na Finlândia é obviamente gélido e isso naturalmente se reflete na própria sociedade. É um povo extremamente obediente às regras e foi realmente fascinante observar o público comparecer exatamente nas diferentes horas marcadas para o show dos United VJs. Um dos momentos altos foi perto da meia noite quando as regras foram quebradas pelo nosso mestre de cerimônias que berrou no microfone: “If you want to watch the United VJs show again, make some nooooiiiise” – “Se você quiser assistir outra vez ao show dos United VJs, façam baruuuuulho” – e aí sim! Ao escutarmos 20 mil pessoas berrando bem alto, entendemos que a arte realmente não tem fronteiras e lá no fundo, somos todos seres humanos que gostam de emoções fortes.

Porque a Finlândia? como surgiu essa oportunidade?
Todo ano a comunidade europeia escolhe uma cidade para abrigar a “Capital da Europeia da Cultura”. No ano de 2011 foi escolhida a cidade de Turku na Finlândia. Este video mapping fez parte das comemorações de encerramento da “Capital Europeia da Cultura Turku 2011”, portanto foi um evento altamente oficial e estivemos lá a convite do Festival Eurocultured, promovido pela Spearfish, empresa produtora de eventos culturais de Manchester.

Os United VJs são totalmente internacionais com Artistas do Reino Unido, Hungria, Austria, Suiça, Romênia, Portugal, Colombia, e claro está o Brasil. Temos várias frentes de intervenção artística e uma delas é a nossa ambição de levar esta fascinante arte pública, o video mapping, para o maior número de sociedades diferentes. Os United VJs são genuinamente multi culturais e primamos pelo poder criativo que esta mistura explosiva está a gerar.

O prédio escolhido para as projeções tem algum significado especial para os moradores da cidade?
Turku é a cidade mais antiga da Finlândia e foi capital do país exatamente hà 200 anos atrás. Este edifício de Art Nouveau tem mais de 100 anos e é a antiga prefeitura localizada nas populares margens do Rio Aura. A população tem o hábito de passear e se juntar no reveillón, para assistir ao tradicionais fogos de artifício. Durante “Turku 2011” foi também o quartel general de todas as operações do evento que durou 1 ano.

Como foi escolhido o tema utilizado nesse trabalho?
Este foi um trabalho colaborativo que envolveu mais de 40 pessoas de diferentes áreas, no qual os United VJs fizeram toda a direção artística. Foi integrado no Festival Eurocultured de Manchester que tem formato de festival de rua e promove uma plataforma que permite mostrar os diferentes aspetos da cultura moderna e tradicional da Europa.

Em vez de nos basearmos em histórias do passado, quisemos “desvendar” o futuro e passar uma mensagem positiva bem no auge de tanta “conturbância” que a Europa está a passar, como o próprio nome da peça, Unveil, indica.

O vídeo mapping substituiu os tradicionais fogos de artifício em Turku?
Não substituiu mas foi poupado um bom dinheiro e a sua utilização [foi] mais moderada. Em 2007 fizemos um vídeo mapping para o evento que marcava a reabertura do Royal Festival Hall de Londres. Este foi o ano que o Reino Unido viu ser fortemente regulamentado o uso de fogos de artifício dentro dos centros da cidades. Isto deu oportunidade a muitos artistas como nós de poder explorar novos meios de comunicação pública.

É possível pensar a projeção mapeada como uma alternativa tão visualmente atrativa quanto os fogos, mas mais segura?
Acreditamos numa integração artística de todos os meios possíveis e imaginários. Como pode ser observado neste trabalho que realizamos no Recife no último Natal.

No final o fogo de artifício completa totalmente a peça the vídeo mapping. O que pode ser feito quando a criatividade fala mais alto é incrível e não tem limites. Nos próximos anos modelos internacionais como o dos United VJs vão ser mais comuns e muitas mais explosões criativas como estas vão acontecer!

Imagens crédito: Dencku

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