Obra Noir Interativa Digital Combina Cinema, Moda e Jogo
Margarete Jahrmann e Martin Rieser lendo a roupa de código QR.
O filme, tanto como arte quanto como forma de entretenimento, continua a lutar com os avanços tecnológicos que tornam mais conveniente adquirir conteúdo online e através de serviços de streaming. Exposições físicas—sessões ou performances de algo facilmente acessível do conforto de casa—se tornam menos atrativas quando combinadas com preços irracionais de ingressos para uma coisa que pode ser vista (praticamente) de graça. Exposições em si precisam de uma transformação e uma das opções disponíveis para os filmes é voltar às raízes como forma de arte tradicionalmente baseada em performance, teatral ou de outra forma.
O teatro, como temos visto, é propício ao potencial participatório e interativo, não só para uma exibição melhorada de conteúdo original. Com Third Woman, uma performance interativa enquanto filme, Martin Rieser, Pia Tikka e Nina Yankowitz empregaram celulares, jogo, código QR, uma narrativa de múltiplas telas e tecidos inteligentes para fazer uma experiência transmídia imersiva.
Em uma homenagem ao clássico cinematográfico de Carol Reed, O Terceiro Homem, o time adaptou os temas originais pós-guerra em um filme que explora a ameaça global do bioterrorismo. Como dizem em seu site, um dos temas principais são os códigos e essa maneira como eles descobriram uma método de integrar seus conteúdos em elementos formais. A história em si se desenrola através de uma instalação projetada, mas como isso ocorre fica por conta do público.
Um grupo de performance intervencionista chamado Algorithmics, vestido com roupas interativas escaneáveis, se mistura ao público de maneira intermitente antes e depois de seguimentos projetados do filme. Quando os códigos das roupas são escaneados, os espectadores podem direcionar o desfecho do filme através de votação por uma rede Wi-Fi. As pessoas também recebem informações específicas em seus fones depois de escanear o que é chamado de rede “ontoscope”. O filme é composto de seções com três diferentes possibilidades de como tudo decorrerá, garantindo uma experiência diferente a cada vez.

Modelo: Margarete Jahrmann/ foto: ©Martin Rieser/©Michelle Stuart/©Margarete Jahrmann
O filme em si segue Holly Martins enquanto ela viaja a Viena para encontrar sua amiga Hari Line. Em sua jornada ele se vê imersa num conto de intriga onde ela descobre que sua amiga está na verdade contrabandeando material perigoso para um grupo de terroristas vivendo na cidade. Imitando o filme, eles filmaram todas as locações originais de O Terceiro Homem e usaram versões adaptadas do roteiro para criar a narrativa. O preto e branco dá uma diáfana sensação noir, embora com um elegante toque digital.
O que é importante sobre os componentes interativos em The Third Woman é que ele engaja a plateia moralmente e intelectualmente. Vai além de apenas pedir ao público que guie a narrativa, mas para considerarem as decisões que estão tomando em um contexto que vai além dos temas do filme. O filme não está apenas consciente de seu público como presente ali, mas também está consciente dele como formado por indivíduos inteligentes e opinativos. Muitas vezes quando, os artistas usam a palavra “interativo” para descrever seus trabalhos, eles só querem dizer responsivo ou performativo. Isso não leva em consideração que a complexidade do comportamento humano oferece apenas um conjunto muito limitado de opções para as pessoas meramente escolherem. Embora The Third Woman continue oferecendo um conjunto limitado de escolhas, o que o diferencia é como eles buscam gerar uma análise por parte do público.
The Third Woman Performance interativa e jogo em Nova York
Como a cidade em si é importante para os temas do filme, as performances variam de local para local. A exibição do filme e sua apresentação é aumentada para o espaço que habita, então o filme é único em um nível global também. Por exemplo, para a exibição em U-Bahn, salas diferentes foram decoradas como locais de incidentes policiais para aprimorar a experiência. Em Nova York, a performance projetou imagens nas piscinas do Espaço de Arte Galápagos. Na China eles foram mais longe e retiraram pessoas que consideraram “infectadas com Miazma” do meio do público.
Imagens de The Third Woman em Xian, China
As exibições têm sido um aspecto separado do filme em si já que ele estava concluído antes de qualquer apresentação. Incorporando performance em suas exibições eles exploram a possibilidade de uma maleabilidade formalística que transcende uma tela projetada. Transmídia é um conceito que tem ganhado bastante impulso no momento, mas geralmente se preocupa apenas com expandir a experiência do filme para fora das salas de cinema. A exibição em si não deve apenas ser vista como uma embalagem genérica da obra, mas como uma extensão formalista do filme em particular, que comunica seus temas tão claramente quanto o conteúdo.




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