Original Creators: Man Ray - Cubista, Surrealista, Dadaísta

Kevin Holmes 24 de jan.

A cada semana prestamos homenagem a um “criador original” selecionado, um artista icônico do passado cujo trabalho influencia e informa os criadores atuais. Esses artistas foram inovadores e revolucionários em suas áreas. Visionários e radicais, homens e mulheres que inspiraram e participaram da formação da cultura como a conhecemos. Esta semana: Man Ray.

Nenhum quarto de estudante de arte estaria completo sem a imagem da modelo francesa Kiki de Montparnasse, com aqueles contornos de violino pintados nas costas, pendurada na parede. É uma daquelas imagens onipresentes que foram perdendo seu impacto com os anos, mas que esconde uma das muitas habilidades que Man Ray — o homem que criou a foto intitulada Le Violon d’Ingres - vez por outra tirava de sua cartola criativa. Pintando as linhas pretas na imagem e a refotografando, ele transformou um nu clássico—inspirado no pintor Ingres-numa imagem surreal, recontextualizando a forma feminina como um instrumento musical.

Mas fotografia não era a única coisa em que Man Ray—nascido Emmanuel Radnitzky—se metia. Ele foi um artista multimídia—escultor, pintor, cineasta e poeta. E apesar de ter nascido nos Estados Unidos e de ter passado a juventude em Nova York aprendendo fotografia e como ser vanguardista com gente como Marcel Duchamp, ele deixou a cidade depois de afirmar: “O Dadaísmo não pode viver em Nova York”. Assim ele foi para Paris, onde se envolveu com os surrealistas, Ernest Hemingway, Jean Cocteau, James Joyce e todos os outros do bairro de Montparnasse que fizeram da cidade a tão famosa colmeia criativa nos anos 20—e, naturalmente, todos os seus colegas boêmios famosos se tornaram assunto de suas fotografias.

A chave de seu trabalho era a experimentação, não importava qual fosse o meio. Seus experimentos fotográficos e inovações incluem seus híbridos objeto/humanos com Kiki (juntamente com coisas mais picantes), e seu aperfeiçoamento da técnica de solarização (auxiliado por sua assistente e amante Lee Miller). Outras invenções incluem suas “raiografias” (ou fotogramas), que exploravam o potencial da imagética negativa colocando objetos diretamente no papel fotográfico e depois os expondo à luz; ele também foi um dos primeiro a adotar a pintura com luz, explorando a técnica com uma lanterna e câmera na série Space Writings. No fim da vida, depois da Segunda Guerra Mundial, ele voltou ao Estados Unidos e trabalhou em Hollywood, onde revolucionou a fotografia de moda com seu uso da iluminação e minimalismo.

Apesar de ser mais conhecido por suas fotografias, ele também influenciou com seus curtas de vanguarda, que incluem Le Retour à la Raison (1923), Emak-Bakia (1926), L’Étoile de Mer (1928); e Les Mystéres du Château du Dé (1929). Igualmente icônicas são suas esculturas readymade Dadaístas como Indestructable Object, um metrônomo com uma figura de olho acoplada e Cadeau, que transforma um ferro de passar em algo mais sinistro e absurdo com a adição de uma fileira de pregos. Sua obra percorreu o Cubismo, o Surrealismo e o Dadaísmo enquanto colaborava com outros artistas para produzir suas técnicas revolucionárias. Seus métodos e estilo vanguardista e lúdico tiveram um amplo efeito na cena artística norte-americana no século XXI.

Abaixo temos uma seleção de suas obras:

Departure of Summer (1914)

Raiografia, 1922


Emak-Bakia (1926)

Space Writing, 1935

Fotografia de Moda, 1936

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