Original Creators: Marcel Duchamp – Um Fanfarrão Vanguardista

Kathleen Flood 1 de fev.

A cada semana prestamos homenagem a um “criador original” selecionado, um artista icônico do passado cujo trabalho influencia e informa os criadores atuais. Esses artistas foram inovadores e revolucionários em suas áreas. Visionários e radicais, homens e mulheres que inspiraram e participaram da formação da cultura como a conhecemos. Esta semana: Marcel Duchamp.

“Gerar ideias, não importa quão selvagens ou rebuscadas, e permitir que novas associações sejam feitas na matéria cinza do seu cérebro.” — Marcel Duchamp

As obras de arte divertidas, provocativas e subversivas do artista francês Marcel Duchamp atestam que se divertir e não se levar muito a sério pode ser a receita do sucesso. Considerado um dos mais importantes artistas do século XX, os primeiros trabalhos de Duchamp foram influenciados pelas escolas do Surrealismo, Dadaísmo e Orfismo (uma abordagem mais colorida do Cubismo), mas ele é provavelmente mais conhecido por suas séries “Readymades”—onde alterava ligeiramente objetos do cotidiano e os colocava num novo contexto. Seu trabalho mais famosos, Fountain, é um urinol virado de cabeça pra baixo, assinado pelo artista e exposto num ambiente de galeria.

Depois que se mudou para Nova York, Duchamp se interessou por artistas como Katherine Dreier e Man Ray e começou a explorar negociação e coleta de objetos de arte. Ele continuou a produzir Readymades enquanto trabalhava em The Large Glass, essencialmente um mashup de três de seus trabalhos anteriores, no qual trabalhou por um período de oito anos.

Ele também se envolveu com arte cinética e colaborou com Man Ray em muitos trabalhos, incluindo Rotative plaques verre, optique de précision, cunhando o termo “móbiles” para esse tipo de escultura mecânica. Duchamp também foi o modelo de uma série de fotografias de Ray, retratando-se como uma mulher chamada Rose Sélavy.

Duchamp desafiou a própria definição de arte, legitimando ideias como obras de arte próprias. Aconselhou colecionadores como Peggy Guggenheim e os então diretores do MoMA Alfred Barr e James Jonson Sweeny, tendo um impacto direto no que vemos nas coleções dos museus hoje em dia. Como um defensor do paradoxo e perpetrador da “anti-arte”, Duchamp eventualmente decidiu abandonar o mundo da arte para prosseguir com o xadrez em tempo integral, até mesmo colaborando com John Cage numa performance onde manipulavam peças de xadrez para produzir sons.

Marcel Duchamp na BBC TV 1966

Sua influência pode ser notada principalmente nos trabalhos de Jasper Johns e Robert Rauschenberg—e todo ano o Centre Georges Pompidou em Paris premia com o Prix Marcel Duchamp um jovem artista que invoca o espírito do criador. Dada a natureza de sua obra, também achamos que ele é uma influência para a street art e para os hackers de hoje, já que preferia trocadilhos e telas não tradicionais como meio artístico.

Imagem via fuckyeahduchamp.tumblr.com

Abaixo temos algumas das obras mais notáveis de Duchamp, para saber mais sobre o artista, visite o site interativo de Andrew Stafford.

Nude Descending A Staircase, No. 2 (1912)

Bicycle Wheel (1913)

“Gosto de olhar pra isso como gosto de olhar para as chamas dançando numa lareira.” — Marcel Duchamp

Fountain (1917)

A obra é assinada por R. Mutt, um dos pseudônimos de Duchamp.

The Large Glass (1913-23)

Rrose Sélavy (1921); fotografado por Man Ray

Reunion (1968); com John Cage

Comentários

blog comments powered by Disqus