Peng Lei e Seu Teatro de Efeitos Especiais

por Xianren 24 de agosto

Peng Lei, o criador chinês multitalentos, estreou como diretor de teatro com a peça “I`m Happy to be so Alone”. Apesar de ser baseada no livro de outra pessoa, Lei explicou que não conseguiu adaptar bem o romance para a peça, então acabou praticamente recriando a obra junto com sua namorada. Falamos com ele depois da apresentação e ele nos contou sobre seus próximos projetos.

Você considera sua estreia como diretor um sucesso?
Peng Lei:
Foi bem boa. Rompemos algumas barreiras, especialmente para a China, já que aqui só há dois tipos de peça: as tradicionais ou as “de vanguarda”. Encontramos um meio termo. Também inserimos novos elementos como vídeo e música ao vivo, para torná-la mais abrangente e atrair um público mais jovem.

Qual a diferença entre dirigir uma peça, cantar em uma banda, ser um pintor, escrever livros e fazer filmes?
Dirigir uma peça requer mais tempo e mais energia. Passamos muito tempo ensaiando, o que nunca tinha feito, mesmo quando fazia vídeos. Passamos a maior parte do tempo ensaiando com os atores, nos certificando de que a performance esteja fixada no subconsciente deles. Esta é a parte mais desafiadora.

Agora que você já dirigiu sua primeira peça, o que pretende fazer?
Neste momento estou numa espécie de hiato. Não sou o tipo de pessoa que faz muitos planos. A peça mesmo aconteceu meio por acaso, abracei a oportunidade e fiz acontecer. Quanto a planos futuros, estou focando na minha banda, pensando em shows e em um disco para lançar no próximo ano.

Algum filme novo nos planos?
Originalmente não pensei em fazer coisas com filme esse ano, mas tenho ideias que estou deixando marinar.

E sobre o que seria esse filme hipotético?
Provavelmente vou falar de algum fenômeno cultural. Alguns dias atrás, vi um filme chinês sobre crianças dançarinas. Não vamos falar de como o gilme foi feito, mas a história não era convincente, não tinha nenhum realismo e era bem pretensiosa. Quero fazer um filme sobre o estado atual da cultura de um jeito mais objetivo do que o que tem sido feito na China.

Você está sempre experimentando com novos assuntos. Que ligação você vê entre seus interesses criativos?
Provavelmente alguma coisa relacionada ao meu gosto pessoal. Minha perspectiva e meus pontos de partida são diferentes dos das outras pessoas. Nenhum dos trabalhos que faço – seja escrevendo, fazendo músicas ou filmes – cede à pressões comerciais ou expectativas do público. O que há de comum entre as coisas que faço é que é tudo bem diferente do que as pessoas vêm todos os dias. Se eu tiver que somar tudo, acho que o que faço é algo que faz as pessoas se sentirem um pouco desconfortáveis e refletirem, mas não é algo muito abstrato ou difícil de entender.

Você sempre usa novas tecnologias para complementar sua criatividade?
Sou o tipo de pessoa que gosta de usar as tecnologias mais novas para criar. Por exemplo, o equipamento que usei para gravar era todo dos anos 80 – fitas cassette, 8MM, 16MM. Também gosto de testar diversos softwares de edição de vídeo e produção musical. Para essa peça, usei o After Effects, que nunca tinha usado antes, e gostei muito. O que gosto no avanço das tecnologias é que quase sempre é uma experiência completamente nova.

Para ver o trabalho de Peng Lei, assista acima ao trailer de seu filme, Peaking Monster.

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