Peng Lei Fala Tudo

por Samantha Culp 22 de set.

Peng Lei parece ter só duas jaquetas: uma de couro preta, que deixaria Joey Ramone orgulhoso, e uma versão mais moderna do terno de Mao. Embora essa seja uma boa metáfora para dois lados de sua personalidade – punk-rocker e apropriador de símbolos culturais tradicionais. Logo fica claro que Peng Lei tem muito mais que só dois lados.

Ele apareceu no evento do The Creators Project em Pequim em vários de seus papéis – como cineasta, exibindo seu curta “A Room With a Cat”, orador em um workshop sobre o impacto da tecnologia na criação independente, e como animal do rock, com o show do New Pants, à noite. Falando de suas frustrações com a censura chinesa ou fazendo arruaça no palco, Peng Lei é um homem de muitas faces (apesar de só duas jaquetas), e veremos muito mais de todas elas. Falamos com o camaleão por um minuto:

Por esse evento ser tão grande, você teve alguma preocupação de vir? Talvez de que seus trabalhos ou a “cena” ficassem mal representados?
Peng Lei
: Eu não pensei sobre como meus trabalhos seriam interpretados, mas no começo pensei que não haveria artistas iguais a mim o suficiente. Mas conforme mais deles se juntaram ao projeto, parei de me preocupar. [risos]

Como você enxerga sua conexão com artistas chineses de outras gerações?
Pessoas como eu não são iguais àquela geração de artistas chineses que servem às curiosidades dos estrangeiros, falando dos problemas históricos. Nenhum de nós está fazendo isso agora, estamos interessados em algo completamente diferente.

Você normalmente prefere trabalhar com equipamentos antigos/analógicos. Como se sentiu participando deste projeto, que tem todas essas características high-tech?
Tecnologia é algo fundamental com que temos que lidar. Tudo (filmes, fotografia, música) acaba passando por processos tecnológicos de edição ou distribuição – então é útil para economizar tempo, energia e deixar mais espaço para a criação.

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