Pinturas De Alexander Calder São Atualizadas Em Animação 3D
Embora existam diferenças óbvias entre a arte digital e meios mais tradicionais, como a pintura, o fato é que ambas fazem parte da longa linhagem da criatividade humana que se estende por 30 mil anos. Já é hora de pararmos de pensar na arte digital como algo separado ou contrário aos formatos mais tradicionais, mas sim como uma parte lógica do contínuo da arte contemporânea—arte que foi modelada e tem suas raízes nos movimentos de vanguarda do século XX como o Fluxus, o Dadaísmo e o Construtivismo, juntamente com as disciplinas da arte performática, do cinema, fotografia e vídeo arte.
De fato, muito da distinção entre arte tradicional e digital está estabelecida em qualidades formais e nas ferramentas de criação, que também são parte de um segmento em constante desenvolvimento dos avanços tecnológicos (pintura e pincéis, se pensarmos tecnicamente, também são uma forma de tecnologia). Sendo assim, isso nega qualquer afirmação de que uma escola é mais “legítima” que outra—uma é meramente a continuação das mesmas tendências através de experimentações e autoexpressão, mas usando ferramentas e práticas contemporâneas. E é com isso em mente que devemos assistir Shkelzen Kernaja animando as pinturas de Alexander Calder no vídeo ‘Calder’ Paintings in 3D, com “An Eagle Has The Right To Children” do Boards of Canada como trilha sonora.
Calder foi um escultor e pintor americano que praticamente inventou a escultura móvel com suas obras cinéticas flutuantes e abstratas feitas de fios e metal. Essa esculturas, incorporadas com movimento, seriam a inspiração óbvia para um trabalho de animação, mas ao invés disso Kernaja escolheu animar os trabalhos mais estáticos de Calder: suas pinturas, transformando-as efetivamente em versões virtuais dos móbiles do artista. Fazendo isso, Kernaja mostra como os dois formatos, pintura e animação digital, podem interagir e se completar enquanto aderem a conjuntos diferentes de regras, e como os artistas de hoje podem estabelecer uma diálogo com seus predecessores que mostre a progressão natural de suas ideias.
Kernaja não lista que pinturas foram usadas, mas depois de uma rápida busca no Google parece que os quadros abaixo foram a inspiração.







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