Por Dentro Da Comuna
Uma casa na Zona sul do Rio de Janeiro é o destino do momento para os cariocas e turistas que se interessam por arte. Localizada na rua Sorocaba, no bairro de Botafogo, a Comuna é o que podemos chamar de espaço multimídia, reunindo a produção artística em suas mais variadas formas. Inaugurada em 2011, o espaço junta numa mesma casa exposições, moda, cinema, música e até culinária.
A criação em diferentes meios é o assunto central de tudo que acontece lá, o que propicia ao público desafiar seus sentidos. Há provocações para o olhar, nas exposições e instalações da galeria Casamata; nas sessões de filmes do Pandavision; estímulos para o paladar nos pratos criados pelo Nas Nuvens e experimentações para o tato com as formas e criações dos novos estilistas que vendem suas roupas lá. Isso para falar de apenas alguns projetos que a casa abriga. Até um curta-metragem com mais de 13 mil visualizações já saiu dessa junção de artistas.

Para entender melhor o que acontece na Comuna e como o projeto surgiu, conversamos com Bruno Negrão, um dos idealizadores do espaço:
The Creators Project: Como a Comuna surgiu? Foi um projeto calculado ou uma reunião de várias pessoas com habilidades diferentes que resultou no que o projeto é hoje?
Bruno Negão: Começamos realizando um evento todo sábado, o Palaflou, um misto de pós praia pré night em que transformávamos um pequeno restaurante de almoço executivo numa festinha com clima de casa de amigo, com drinks, comidinhas e a música sendo comandada cada sábado por um amigo convidado. Passamos a usar as paredes disponíveis no espaço para hospedarmos pequenas exposições. 27 edições depois a busca por um novo espaço se tornou necessária, já que o lugar ficou pequeno pro evento. Decidimos que era hora de um passo maior e começamos a vislumbrar a ideia de um espaço nosso, que não hospedasse somente esse evento, mas funcionasse como o escritório da Pós Máquina do Tempo (nossa embrionária produtora) e que fosse um lugar que poderíamos realizar inúmeros outros projetos nossos. Mas acho que a Comuna se formatou mesmo enquanto projeto a partir do momento em que outros agentes começaram a embarcar conosco nessa empreitada. Já havia a ideia de ser um espaço múltiplo, comum e aberto, (algo como o que experimentávamos no Palaflou) mas ao intergramos essas várias outras pessoas com diferentes habilidades e cada qual com sua singularidade que o projeto ganhou sua forma, acho.
Como você definiria a Comuna?
Um espaço que é várias coisas, que se pretende uma via de troca e um lugar de realização de projetos (nossos ou de terceiros) que somem, questionem, intriguem ou simplesmente divirtam. E mais que isso, um espaço que quer não ser somente um ponto de convergência de ideias, experiências e habilidades mas também um lugar que extrapole e emane coisas, que estabeleça vínculos com outros projetos e pessoas e que ajude a catalisar uma forma diferente de se pensar e fazer as coisas. E acho que ao abrigarmos diferentes projetos, ideias e vontades nosso escopo de atuação (onde podemos e queremos agir e criar) se expande.

Qual a relação da Comuna com a arte? Existe algum tipo de posicionamento ideológico nesse sentido?
Somos um espaço aberto e buscamos a sobreposição de ideias, seja qual for o suporte, pintura, vídeo, perfomance, arte conceitual. Nossa postura é ir atrás daquilo que identificamos como algo que tenha uma potência em si, que haja uma profundidade não necessariamente explícita, mas que vá além da simples expressão. Quando existe uma imersão completa no processo criativo por parte do artista, toda essa dedicação reverbera na obra, faz ela ganhar uma gravidade única. São esses projetos que buscamos: singulares mas que dialoguem, estabeleçam trocas e criem novas experiências com o espaço (a Comuna) e sobretudo com o público.
O Projeto Pandavision tem ligação direta com vídeo, mas mesmo a divulgação dos eventos no espaço usa vídeo como suporte. Qual a relação das pessoas que compõem a Comuna com a criação de imagens?
Dois dos integrantes da Pós Máquina do Tempo – a produtora e laboratório de ideias que gerou o Palaflou e a Comuna – estudaram cinema e já trabalharam com audiovisual (cinema, TV, video). A própria Pós Máquina do Tempo é também uma produtora audiovisual: mesmo que o nosso foco atual, devido ao trabalho na Comuna, seja quase integral aos eventos culturais, temos projetos cinematográficos para tocar pela frente: no momento, estamos desenvolvendo um argumento de longa-metragem. Temos, inclusive, um curta-metragem no currículo, que está tendo uma carreira muito bem sucedida na web nos últimos dois meses, o La Saidérre, que ultrapassou as 13 mil visualizações no Vimeo.
E planejamos para este primeiro semestre de 2012 a realização e o lançamento da terceira parte da Trilogia de Boteco, da qual La Saidèrre é a segunda.

Que projetos o espaço abriga hoje em dia?
Atualmente temos a Sala de Estar, espaço para que novos estilistas e artistas exponham e vendam suas criações, propondo um verdadeiro mergulho no processo criativo do autor. A Casa Mata, espaço de experimentação artística da casa que abriga exposições e outros projetos. Um escritório que atualmente é ocupado apenas pela nossa produtora, mas estamos formatando-o num espaço de coworking. Um ateliê/pista de dança que serve tanto como local de trabalho para alguns artistas, como para abrigar eventos da casa e, futuramente, novos projetos.
Além disso, existem os eventos como a Palaflou, o Pandavision, os lançamentosde coleções de novos estilistas promovidos pela Sala de Estar, e festas, como a Bronze.
O que podemos esperar para o futuro da Comuna e seus projetos?
Futuramente o café Das Nuvens será aberto no período da tarde e também o Restaurante da comuna, que funcionará de segunda a sexta, na hora do almoço. Além disso, novos eventos e projetos entrarão em nosso calendário, como o Le Sportif (que irá exibir jogos de futebol e outros esportes), o Laboratório Sônico, as audições coletivas, shows, festas, feiras (desde vinil e feiras de alimentos orgânicos), workshops e a lista segue…
Fotos por Eduardo Magalhães




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