Projeto Mensal Do MIS Reúne Cinema Mudo E Música Ao Vivo

por Fergs Heinzelmann 12 de jan.

A trilha sonora no cinema tem papel fundamental para dar movimento à trama, e quando os filmes ainda não eram falados era a música que servia como complemento para as expressões dos atores. Buscando regastar a atmosfera das primeiras sessões de cinema, quando os filmes não era sonorizados e uma orquestra ao vivo acompanhava a trama exibida na tela, é que desde o ano passado um projeto do Museu da Imagem e do Som de São Paulo reúne projeções cinematográficas e música. O Cinematographo acontece uma vez por mês, trazendo filmes de vários gêneros, embalados por uma banda que acompanha as imagens projetadas no auditório do Museu, ao vivo.

O nome Cinematographo homenageia a história da sétima arte, pois se refere a uma máquina, considerada precursora do cinema moderno, criada pelos irmãos Edison, Auguste e Louis Lumière que exibiu o primeiro filme feito por eles. O curta de 50 segundos de duração, mostrava um trem chegando a uma estação e causou comoção da plateia na época, com receio de que o trem fosse realmente sair da tela. Na versão atualizada do Cinematographo são exibidas produções pouco conhecidas do público, buscando apresentá-las para uma audiência maior, usando o acompanhamento musical como mais um atrativo.

A ideia não é exatamente novidade, já teve até músico que criou um espetáculo inteiro a partir de um único filme. Em 2008 o francês Olivier Mellano esteve no Brasil para promover a trilha que criou especialmente para o clássico de Friedrich Wilhelm Murnau, Aurora. O músico tocou e criou até mesmo improvisações enquanto a película era projetada ao fundo do palco. No ano passado, sob a regência do maestro João Maurício Galindo a orquestra Jazz Sinfônica apresentou ao vivo no a trilha do filme Metrópolis, projetado na área externa do Auditório do Ibirapuera.

O interessante da iniciativa do MIS é a continuidade do projeto, que já na sua primeira edição de 2012 promete começar o ano com muito bom humor. Dia 22 de janeiro, no palco do auditório do museu, a banda de jazz contemporâneo África lá em Casa, acompanhará musicalmente uma série de curtas-metragens do diretor Max Linder. Linder é considerado o pai da primeira geração de comediantes do cinema americano. Serão exibidos os filmes La legende de Polichinelle (1907), Le premier cigare d´un collegian (1908), Max et la doctoresse (1909), Max prend um bain (1910), Max veut grandir (1912), Max boxeur par amour (1912), Max professeur de tango (1914), Max est décoré (1914) e Max fait des conquêtes (1913).

O grupo África lá em Casa é uma espécie de coletivo multimídia e já tem quatro álbuns lançados, tendo no jazz contemporâneo sua maior referência. A banda é composta por Roger Brito (trompete), Arnaldo Duarte (bateria) e Guilherme Chiappetta (baixo) e na apresentação do MIS terá como convidado o pianista e compositor Anselmo Mancini. Abaixo um dos vídeos produzidos pelo coletivo:

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