Será 2012 O Ano Da Impressão 3D?

Kevin Holmes 7 de fev.

Um sapato impresso em 3D na Cube

Na CES 2012 a 3D Systems apresentou sua solução para o debate crescente sobre se a impressão 3D vai ou não se tornar algo corriqueiro. Isso veio na forma da Cube, no valor de $1.299, um produto de operação simples que eles esperam que muito em breve esteja em todos os lares, disputando com os iDevices e consoles de vídeo game um lugar na lista de pedidos de natal de 2012. A MakerBot Industries, outra empresa conhecida de impressão 3D, também vai disputar o mercado doméstico com a Replicator ($1,749), uma impressora bicolor também lançada na CES.

Mas a transição de hobby obscuro para item de consumo mainstream não vai acontecer da noite pro dia. Então, o que exatamente será necessário para que esse novo nicho de mercado chegue às massas e se espalhe por toda parte?

Com as impressoras 3D, os usuários podem efetivamente transformar aquivos digitais em objetos físicos, seja usando um design próprio ou escaneando um objeto com um scanner 3D. A máquina vai então construir o objeto camada por camada, criando até mesmo partes móveis e usando cores diferentes, o que significa menos desperdício e possibilidades quase infinitas de design.

Essas máquinas vêm sendo usadas em escala industrial nos últimos 25 anos e por adeptos do faça-você-mesmo nos últimos tempos—e agora parece que o mercado caseiro é o próximo passo. A promessa dessa tecnologia revolucionária está no ar há um certo tempo, até mesmo a imprensa mainstream tem falado sobre sua possível dominação mundial. Mas até o momento, tudo não passa de especulação. Então o que está faltando para que a impressão 3D tenha seu momento Apple II? Esse ponto crucial onde uma nova tecnologia irrompe na consciência coletiva e se torna parte do nosso cotidiano? Assumindo, é claro, que isso realmente venha a acontecer. Como os céticos gostam de apontar, a impressão 3D pode permanecer eternamente na geladeira, uma tecnologia emergente que permanecerá pra sempre apenas isso, indo pelo mesmo caminho da realidade virtual e do laserdisc: direto pra lata de lixo da história.

Comunidade É A Chave

Para Rajeev Kulkarni, vice-presidente da 3D Systems, 2012 vai ser o ano da impressão 3D. Depois de muitos anos de pesquisa e desenvolvimento, a tecnologia finalmente é barata e simples o suficiente para se tornar acessível para as pessoas comuns. “O foco é como simplificar algo que é bem complexo e torná-lo fácil e intuitivo para que todos possam utilizá-lo?” E ele não está falando só sobre a impressora, também há uma infraestrutura que acompanha a coisa toda: o software, os designs, a comunidade de usuários que compartilham seus trabalhos, ideias e recursos. Afinal de contas, isso é mais que simplesmente um aparelho de impressão—é um movimento que visa transformar pessoas em fabricantes ao invés de consumidores.

Esse tipo de comunidade já existe—como a Thingiverse e os fóruns e oficinas virtuais hospedadas por serviços de impressão online como a Shapeways e o Sculpteo—mas Kulkarni acredita que uma nova abordagem é necessária, uma que atenda inteiramente ao usuários iniciantes. A solução deles é o Cubify.com, que será lançado juntamente com o Cube e que, para a 3D Systems, será fundamental para o sucesso do produto.

Ter uma comunidade online de usuários que podem se apoiar mutuamente é uma das principais preocupações de Carine Carmy, Gerente de Comunicação de Marketing da Shapeways. Na comunidade da Shapeways, que será uma mistura de usuários experientes de CAD e inciantes, os primeiros poderão ajudar os últimos. “Ter uma comunidade online de impressão 3D é um dos aspectos mais importantes do nosso negócio e a chave para o crescimento da impressão 3D como meio mais amplo… A comunidade tem a habilidade de dar vida a novas possibilidades e inspirar outras. Eles podem expandir o conhecimento compartilhável já que muitos membros da comunidade são especialistas na área, é também um celeiro para novos projetos. Para aqueles com experiência em design, a comunidade online é um incrível instrumento que apoia o trabalho dos designers 3D e para experimentar com ferramentas que tornam o processo mais fácil e acessível.”

Cube, da 3D Systems

Para a 3D Systems, a plataforma e o produto têm uma relação quase simbiótica. Descrevendo a plataforma Cubify.com, Kulkarni cita o Facebook e o iTunes, suas funcionalidades combinadas com o Cubify.com. Ele visualiza um lugar onde os usuários podem interagir uns com os outros, bem como baixar aplicativos para personalizar conteúdo e usar serviços de cloud-printing que vão imprimir e entregar objetos grandes demais para sua impressora desktop. Os usuários também poderão criar suas próprias lojas e formar times com outros indivíduos.

Impressão 3D Móvel

Juntamente com aplicativos online que ajudarão as pessoas a criar, aplicativos de smartphones também terão um papel importante em garantir o acesso das pessoas a essa nova tecnologia. “No futuro, aplicativos tornarão possível para qualquer um gerar arquivos 3D personalizáveis de objetos do cotidiano apenas utilizando seus smartphones.”, diz Imogen Bailey, do Sculpteo. “Não haverá mais barreiras entre um objeto e um arquivo de um objeto. Hoje em dia, as pessoas não fazem mais diferenciação entre uma foto real e o arquivo digital dessa foto, a versão digital… pensamos que a democratização inevitável da tecnologia de impressão 3D será alcançada com esse tipo de aplicativo do consumidor.”

O Sculpteo recentemente lançou um aplicativo que permite que as pessoas façam fotos de si mesmas ou de amigos e então as convertam em objetos 3D, por exemplo colocar o seu perfil numa caneca ou num vaso. Com o aplicativo certo e câmeras cada vez melhores, os smartphones têm o potencial para se tornarem scanners 3D de bolso. “Logo as pessoas poderão escanear objetos reais para criar arquivos 3D apenas usando o celular”, disz Bailey. “Vai ser tão fácil quanto tirar uma foto.”

O aplicativo Sculpteo é só um exemplo de como a indústria do 3D digital está fazendo da facilidade de acesso e da conscientização uma prioridade este ano. “Muitos entendem que a tecnologia existente permite que você converta arquivos digitais em objetos físicos”, diz Carmy da Shapeways, “mas poucos sabem que se pode fazer coisas em metal ou cerâmica, que os custos e a qualidade se comparam as tecnologias de manufatura tradicional, e que você não precisa saber usar software de design 3D para explorar suas possibilidades.”

Com os grandes avanços alcançados na área da acessibilidade, conhecimento e adoção são os próximos obstáculos a serem enfrentados pela indústria.

Um Período de Transição

Antes de qualquer nova tecnologia integrar o cotidiano, ela passa por uma período de transição. Kulkarni compara o que a impressão 3D está passando agora com o que aconteceu com o tablet quando a Apple lançou o iPad. Antes do iPad ninguém sabia o que era um tablet, sem falar em pra que servia. “A Apple não tinha o melhor tablet em termos de recursos”, diz Kulkarni, “o que eles fizeram foi tornar isso extremamente fácil de usar, eles o tornaram tão intuitivo que todo mundo achou um uso para ele em sua vida”. O que estamos vendo agora com impressão 3D são as companhias simplificando suas versões e procurando jeitos de fazer a tecnologia relevante para a vida das pessoas.

É a facilidade de uso e as interfaces intuitivas para os usuários que vão encorajar as pessoas a migrar para a nova tecnologia. E uma vez que essa barreira for ultrapassada, o movimento vai começar a entrar numa nova fase, uma fase que explora os potenciais da combinação entre os melhores atributos do homem e da máquina.

Marcelo Coelho, metade do estúdio de design Zigelbaum + Coelho acha que essa é uma área interessante que estamos apenas começando a investigar: “A mudança mais significativa [da impressão 3D] vai acontecer na economia, com a emergência de mercados inteiramente novos para design, fabricação, venda e compartilhamento de objetos personalizáveis únicos. Também é possível que fiquemos surpresos com as próprias ferramentas do futuro e a relação que vamos desenvolver com elas. Veja o FreeD de Amit Zoran: um fresadora híbrida portátil que permite que o computador controle a forma geral do objeto preservando o gesto expressivo da mão do escultor. Vamos encontrar grandes benefícios no entrelaçamento da mão humana dentro dos processos de fabricação estéril da máquina.”

Outra rota em potencial para a revolução está nas comunidades online já estabelecidas, como aquelas que cercam o jogo bastante popular Minecraft, que já começou a usar a tecnologia para tornar física sua paixão digital. “O que pode empolgar a todos”, diz Carmy, “é como as redes já existentes podem usar impressão 3D para traduzir sua paixão em objetos físicos únicos. A comunidade Minecraft tem aproveitado isso através da MineToys e Mineways, ferramentas que permitem que os entusiastas criem versões impressas de seus avatares e objetos do jogo. Se plugando ao Shapeways, comunidades individuais pode criar ferramentas para iniciantes para ajudá-los a fazer coisas significativas (pense num aplicativo do Facebook que permita imprimir versões 3D das suas fotos favoritas).”

Dar uma maozinha é outro fator chave para adoção, algo que a 3D Systems está abraçando usando uma abordagem de livro de colorir, especialmente com relação às crianças. “Achamos que as crianças não querem começar com uma tela branca”, diz Kulkarni, “elas têm uma mentalidade mais livro de colorir, onde as pessoas pegam um modelo, mudam a cor, colocam seus nomes e imprimem—elas querem uma impressão personalizada ao invés de começar do rescunho”.

O Sculpteo também utiliza uma abordagem semelhante, junto com o velho ditado de manter as coisas simples: “Fazer software de impressão 3D e tecnologia o mais simples possível ajuda a encorajar novos consumidores a experimentar nossos serviços de impressão 3D online. Por exemplo, iniciantes pode baixar programas gratuitos como o Google SketchUp ou o Blender e subir seus arquivos 3D diretamente no site do Sculpteo. Então é possível mudar o tamanho, a cor e o material do objeto a ser impresso. Desenvolvemos uma ferramenta de correção automática que corrige qualquer falha que possa quebrar ou tornar instável o objeto final, esses erros podem não ser vistos na tela a olho nu, mas nossa tecnologia consegue detectá-los.”

Mas talvez antes da revolução do consumidor comum, a fase transicional possa apresentar um passo intermediário. Isso é algo que David Cranor, fundador da formlabs, diz: “O que será interessante de ver é o estágio entre o uso puramente comercial e o uso puramente doméstico—a capacitação de pequenas lojas de design, ideias de novos produtos, crianças com um sonho e acesso ao Kickstarter para fazer um design do zero, fabricação e vendas, e finalmente libertar das restrições da necessidade de trabalhar para ou com uma grande empresa com muitos recursos para fazer produtos profissionais.”

Na euforia pós-CES, onde companhias estão ansiosas para colocar seus parelhos dentro de nossas casas e sobre nossas mesas, é fácil esquecer que antes que isso realmente aconteça o estágio intermediário pode ser aquilo que dá início a essa revolução e normaliza a tecnologia. Onde pequenos negócios locais oferecem esse serviço da mesma maneira que lojas de impressão ofereciam antes da chegada das impressoras convencionais domésticas. Cranor continua: “A implicação disso é que mesmo antes de uma adoção residencial em massa, veremos um aumento significativo da cauda do nicho e produtos personalizados com uma interação mais direta e feedback entre designers e usuários. Isso mudará a maneira como designers e consumidores trabalham juntos, e apagar a divisão entre os dois. Será que minha avó terá uma impressora 3D em 2013? Provavelmente não. Mas minha avó tem outro aparelho que requere habilidades pessoais para fabricação em sua casa—uma máquina de costura. Impressoras 3D domésticas vão acontecer. É a penas uma questão de quando, e mesmo os estágios intermediários serão muito, muito empolgantes.”

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