Tecnologia E Natureza Com Kimchi And Chips
Lit Tree é uma projeção de realidade aumentada que responde aos gestos dos espectadores, usando plantas como telas volumétricas. A instalação usa uma nuvem de voxels (pixels volumétricos) cintilantes e foi uma das obras apresentadas no nosso Evento de Seul em setembro. Os designers de Londres e de Seul por trás dessa extraordinária exploração da interação e influência entre tecnologia e natureza são Kimchi and Chips, que conversaram com a gente para discutir os detalhes dessa instalação incrivelmente enigmática e visualmente deslumbrante.
The Creators Project: Como uma unificação entre natureza, tecnologia e público, Lit Tree apresenta um conceito tecnológico bastante denso em um meio interativo simplificado. Vocês poderiam explicar o objetivo por trás do seu trabalho?
Kimchi and Chips: Odiamos poluição visual, e quanto mais poderosas ficam as ferramentas visuais, mais poluição visual toma conta do ambiente. Por outro lado, estamos criando novas plataformas para a mídia digital. O dilema é realmente conquistar as pessoas e se conectar com os pensamentos delas, sem explorá-las além da conta.
Olhamos para as fachadas de mídia e vemos um abuso das empresas de marketing do mundo todo. Em Seul, todas as grandes ruas são dotadas de neons brilhantes, LEDs e projeções. Grandes superfícies de concreto são telas perfeitas para publicidade e gráficos de alto contraste.
Queríamos fazer uma nova plataforma para mídia visual dentro do ambiente construído e começamos a nos voltar para as árvores devido à sua complexidade inerente, sua natureza imprevisível e sua superfície volumétrica. Se você pode projetar na superfície de uma árvore, levando em conta todas as intrincadas posições 3D onde cada pixel pousa, então você atinge esse tipo incrível de projeção volumétrica.
Que tipo de software e hardware você usaram?
Tentamos sempre utilizar hardware barato e fazer nossos softwares abertos. Para scanear a árvore desenvolvemos nosso próprio software, MapTools-SL, que funciona com um par de webcams e um projetor de vídeo comum. Tentamos escolher hardware com campo de profundidade, resolução e drivers que outras pessoas possam ter.
Vocês explicam a Lit Tree como uma alternativa às fachadas de mídia. Combinando interatividade com o ambiente natural dessa maneira, como a tecnologia pode se integrar perfeitamente ao ambiente sem causar distúrbio?
Lit Tree experimenta criar conteúdo digital volumétrico para uma árvore. O que descobrimos foi que para realmente convencer e capturar o espectador precisamos apresentar gráficos pacientes que dão duro para descrever a si mesmo. Para funcionar, o sistema deve manter-se conectado à forma em constante evolução da árvore. É um desafio que envolve estudar a forma da árvore, ao invés de ignorá-la.
Que tipo de obstáculos vocês enfrentam quando levam a Lit Tree para lugares diferentes, como o Platoon por exemplo?
Depende do espaço. Em espaços próprios para a arte podemos manter o ambiente controlado e trabalhar em um design pré-concebido. Adaptar-se aos espaços já existentes é mais desafiador e realmente testa os limites do nosso sistema.
Precisamos de scans decentes de toda a instalação, de maneira ideal você pode caminhar para trás e encontrar uma posição que cobre tudo sem ficar muito largo. No Platoon estávamos num espaço confinado onde reunimos quatro ou seis scans de diferentes pontos de vista. Nosso software possui toda a matemática para lidar com isso, mas isso significa mais trabalho e menos tempo para refinar os resultados, o que é doloroso.
Como a Lit Tree vai se desenvolver (por exemplo: vocês mencionaram métodos alternativos para fotossíntese, pesquisa botânica)?
Sim, devido aos efeitos de fotossíntese desencadeados pelo projetor e o enorme controle que você tem através disso no uso 3D do nosso sistema, há definitivamente oportunidades para pesquisas com o crescimento de plantas e com complexos estados hormonais. Adoraríamos começar nesse ramos e já fizemos alguns contatos para isso.
Vocês usarão o MapTools-SL, seu sistema de estruturação de luz, em futuros projetos?
Temos um grande projeto para um futuro próximo que vai estender o software ainda mais. E se pudéssemos projetar em materiais em movimento, com
o árvores ao vento, com cada elemento da árvore rastreando um volume de luz? Há muito mais coisa que pode ser feita com ele.
Mas também gostaríamos de ver essa ferramenta sendo usada por outros artistas e designers—desacelerando um pouco e explicando ideias, ao invés de acelerar e fazer novas ferramentas. Esperamos que mais pessoas usem o software.
Vídeo cortesia de Kimchi and Chips.




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