The Chemical Brothers: O Filme

Kevin Holmes 30 de jan.

The Chemical Brothers são parte da dance music desde sempre, rodando o mundo com seu show psicodélico, chacoalhando os olhos e tímpanos das pessoas e deixando fregueses tontos e confusos pelo caminho. E agora esse show audiovisual explosivo virou o filme Don’t Think, para que as próximas gerações possam ter uma ideia de como era esta época.

O filme foi dirigido por Adam Smith, que trabalhou com Tom Rowlands e Ed Simons por 18 anos, e produzido por Marcus Lyall, que fez os efeitos especiais para a banda nos últimos cinco anos e que tem co-dirigido os shows junto com Smith. O que eles conseguiram fazer foi capturar a loucura e transcendência de se perder nas cores e sons de um show do Chemical Brothers em filme.

Essa sensação de estar sendo ao mesmo tempo deslumbrado e agredido pelo set era o que Smith, colaborador visual de longa data dos Chemical Brothers, buscava. “Queríamos transportar o espectador do cinema para um lugar onde ele pudesse experimentar as sensações viscerais que o show induz. E mais importante, queríamos que as pessoas se conectassem emocionalmente com a música e o show.”

A maneira como eles atingiram esse objetivo foi fazendo filmagens do ponto de vista do público, com Ed e Tom por trás de seu equipamento, enquanto também posicionaram as câmeras encarando a plateia, o que resultou em imagens hilárias e tocantes da multidão e seus olhos hipnotizados e estáticos. O filme foi gravado no Fuji Rock Festival no Japão, um dos lugares preferidos para shows do Chemical Brothers.

A decisão de fazer do público o personagem principal foi calculada. “Seria muito difícil segurar a audiência no cinema apenas com o espetáculo”, diz Smith, “então decidimos que fazer do público o protagonista poderia nos ajudar com isso”. Eles também admitiram que vídeos no YouTube com filmagens do show da banda feitas com celular foram uma grande influência com seu estilo tremido e imersivo. “A questão é que assim você capta a sensação de estar no meio da coisa toda”, disse Lyall.

Mas os caras fizeram mais que apenas procurar na internet por filmagens dos shows feitas pelo público, outra influência foi o The Grateful Dead, um filme/show filmado em 1974 que apresenta muitas imagens da audiência. Nesse sentido, o público é a estrela do filme, mais que os dois caras no palco, isso separa Don’t Think dos outros filmes do gênero.

“Há uma relação entre a câmera e o público”, diz Lyall, “essa é a maior diferença estrutural entre este e um filme normal de um show. Geralmente a ordem em um filme como esse é apontar a câmera para os artistas o tempo todo, manter a câmera acima das cabeças dos pessoas, cortar de volta para imagens ocasionais do público. Basicamente o que você está filmando é a performance divina da estrela. Então a câmera sempre olha para baixo para o público. Mas o fato é que Tom e Ed não se apresentam assim, com eles a coisa se mantem no nível essencial. É sobre o que as pessoas ali estão sentindo.”

Outro ponto em que o filme tem sucesso é em capturar a experiência da dance music—mas não de uma maneira brega, estilo festa da espuma em Ibiza. A qualidade que eles alcançaram é mais transcendental e emocional visualmente. Imagens de palhaços, cavalos e robôs de brinquedo voam por cima dos espectadores e do público, todos coletivamente perdidos em devaneios de mais de 100 batidas por minuto. Esse estado de transe pode ser atribuído a mistura alquimística de bate-estaca, drogas e efeitos visuais desorientadores que banham os frequentadores do festival japonês. “O visual é o que você está assistindo, mas é a iluminação que você sente”, diz Lyall.

Estruturar os efeitos visuais também teve um papel importante em enfeitiçar o espectador, juntamente com estabelecer algum tipo de narrativa. “Acho que a coisa principal é que há uma estrutura”, continua Lyall. “Assim que pegamos a set list tentamos entrar em algum tipo de narrativa. E não é necessariamente importante quealguém consiga entender qual é a narrativa, mas é importante que haja uma trajetória no show… Pensamos em uma palavra chave para cada música e fizemos todo o resto a partir disso. A coisa sobre o filme é que muito dos efeitos visuais são uma biblioteca que volta no tempo. Alguns foram feitos para essa turnê, outros tinham dez anos de idade, com algumas coisas novas entrando na jogada.”

Mas o que o filme realmente está tentando transmitir é uma ideia tão antiga quanto a própria cultura rave. É sobre se juntar, se jogar e se divertir, como diz Lyall quando se lembra: “Tentamos promover a união das pessoas—me arriscando a soar como um raver velho—tentamos recriar aquele momento clássico da rave e aquela coisa transcendental onde grandes músicas vinham e todos olhavam uns pros outros e queriam dar uma abraço coletivo no final. Acho que a memória dessa experiência é bastante central no que tentando fazer.”

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