Um Mar De Luzes Multicoloridas No Rio De Janeiro
Somos muito a favor da arte pública, exposta em ruas e praças, que pegam de surpresa quem sequer planejou comtemplar obras, às vezes até pessoas que nunca pisaram em uma galeria. Mas não é só o aspecto democrático que nos atrai, a transformação desses espaços a céu aberto nos traz visões fantasiosas do que eles poderiam ser, nos levando a enxergá-los em outra dimensão. Faz pensar até que muitas dessas obras poderiam ser permanentes.
Além das projeções mapeadas, que a exemplo do que já mostramos aqui se tornam cada vez mais comuns em centros urbanos no Brasil e pelo mundo, há intervenções como as que ocorreram em janeiro na mostra Urbe uma cachoeira de linhas luminosas no Viaduto do Chá (no centro de SP), criada por Felipe Sztutman; ou as pixações em neon do coletivo Goma.
Esta semana o Rio de Janeiro também está recebendo a graça da transformação do espaço público pela arte. O italiano Giancarlo Neri traz sua instalação Máximo Silêncio à Praça Paris, no centro da cidade. São cerca de 9 mil lâmpadas de 25 cm cada, que mudam de intensidade e cor. Programadas em ciclo, começam a brilhar sincronizadas, pulsando as mesmas cores: azul, vermelho, amarelo e verde. Depois de cinco minutos, vão ficando descontinuadas, surgindo então uma visão de luzes multicoloridas. A ideia surgiu quando a mulher do artista comprou uma luminária na loja Ikea, e depois percebeu que, ao contrário do que pretendia, eram lâmpadas coloridas em vez de brancas, que acendiam alternadamente.
Neri realizou Maximo Silêncio pela primeira vez em Roma, em 2007, na abertura do evento Noite Branca. Depois o trabalho foi levado para Madri e Dubai. “Em cada local é uma situação diferente. A obra interage diretamente com o espaço”, diz o artista. Veja abaixo:
O italiano sempre trabalhou com interferências na paisagem urbana. A primeira delas foi feita nos prédios em frente ao seu apartamento, mudando a paisagem que via de sua janela. Depois de convencer os síndicos e vizinhos, aplicou pinturas sobre um painel colocado nas janelas, e chamou pessoas para verem a paisagem alterada do ponto de vista de seu próprio apartamento. “Meu trabalho é ir até as pessoas. Esse para mim é o verdadeiro conceito de arte pública”, diz. “Gosto de trabalhar em locais onde as pessoas passem e vejam”. E a gente adora passar e ver.





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