Uma Conversa com Squeak E. Clean
Estivemos com o Squeak E. Clean (aka Sam Spiegel) – DJ, produtor e uma das metades da dupla N.A.S.A.. Conversamos com ele sobre o o início da sua carreira, sua fascinação pelo espaço sideral, o futuro da discotecagem e sobre sua parceria com o Zegon.
Quando surgiu o seu interesse pela música?
Comecei a tocar quando eu tinha uns sete anos. Fiz canto, toquei violoncelo durante um tempo e depois flauta. Na sexta série comecei a discotecar nas festinhas da escola, criamos uma “empresa” chamada J & S Mix Productions, tínhamos um cartão de visita que dizia “J & S Mix Productions: Faixas ótimas por preços incríveis”. Mais tarde, com 15 anos, formei uma banda com os meus amigos e começamos a gravar nosso som num computador da Apple antigo. Fazíamos as nossas batalhas de rap e cover do James Brown, tipo “Tighten Up”, tocávamos linhas simples de baixo, e todos os outros instrumentos eram samples ruins. Depois arranjei um Dr. Sample BOSS de US$ 100 e mais tarde um AKAI MPC, que é um sampler, bateria eletrônica e sequenciador. Daí, comprei o Pro Tools e não parei mais.
E quando você conseguiu o seu primeiro toca-discos?
Eu não tive toca-discos até eu ter 18 anos. Eu discotecava com um Discman e comprei um mixer porcaria. Aí, sincronizava os aparelhos e tocava com dois discmans. Só comprei um toca-discos com 18 anos, aí comecei a fazer sets, e descobri que eu podia pagar minhas contas com isso.
O quão diferente era discotecar naquela época, e como você enxerga o papel do DJ hoje?
Era algo que eu curtia fazer, mas que eu nunca encarei como arte. Mais tarde, com o N.A.S.A., quando conheci o Zegon, é que saquei que o set podia ser montado e pensado de um jeito original. A discotecagem nos fim dos anos 90 me inspirou, porque tinha muita inovação acontecendo com gente como o DJ Qbert. Sempre fui um DJ mais de festa, nunca me preocupei muito com as viradas. Mas acho que o grande evento que realmente mudou foi o surgimento do Serato. Os DJs de vinil podiam mixar e virar muito mais rápido. Só o ato de escolher um disco e colocá-lo para tocar levava um tempo, então, se você manjasse das viradas, já estava pronto para ser DJ. Mas usar as picapes como um verdadeiro instrumento, conseguir ser rápido, virar de um disco para outro, subir só os vocais de uma faixa para outra, é diferente. Com o Zegon, sempre usamos quatro pratos, mas depois que passamos para o Serato, nosso jeito de tocar foi para outro nível, porque conseguíamos fazer muito mais.
Você acha que as pessoas estão aproveitando esse avanço da tecnologia?
Com o Serato ficou mais fácil virar DJ, mas precisa de pegada para inovar. O DJ AM, que infelizmente já morreu, era o melhor DJ no Serato. Nunca vi alguém que dominasse tanto como ele. Era demais ver o jeito como ele misturava as coisas, fazia os scratches e usava o queue. Ele era dinâmico, mas também intuitivo e natural.
Qual você acha que será o próximo passo em matéria de discotecagem?
Discotecar virou algo mais intelectual, as pessoas estão customizando seus instrumentos e criando músicas. Com o Serato você pode tocar quatro discos simultaneamente e acho que isso vai gerar algumas inovações.
Como você e o Zegon se conheceram?
Nos conhecemos numa festa em Los Angeles. Foi louco porque naquela mesma noite conheci um monte de gente que colaborou comigo depois. Conheci o Sony do Head Banger, o Rusty e o Koool G Murder.
E como funciona a parceria no N.A.S.A.?
Eu e o Zegon só fazemos música que estamos afim de fazer, e em termos de parcerias, imaginávamos com quem queríamos trabalhar assim que as faixas ficavam prontas. Às vezes, enquanto fazíamos a música, pensávamos: “Sabe quem seria ótimo para essa música?” e ficávamos com aquilo, era mais um brainstorm. Mas depois tínhamos um painel onde íamos escrevendo nossa lista dos sonhos. Não era só uma lista com nome de músicos, tinha o nome da música e o nome do colaborador ideal. O disco demorou seis anos pra ficar pronto porque tinham 80 artistas na lista, e teve todo um processo de entrar em contato com todos eles e saber se eles estavam afim de participar. Depois escrevíamos uma carta para eles, contando sobre o disco e sobre as músicas.
O que chamou sua atenção no Zegon para você querer trabalhar com ele?
Quando conheci o Zegon nessa festa foi uma grande coincidência, tínhamos várias coisas em comum. Eu tinha acabado de me ligar em música brasileira, no funk e no soul do Brasil. O Zegon é um expert nisso. E ele tinha uma coleção gigante desses discos que me interessavam. Então, rolou essa conexão. No dia seguinte, nos encontramos e tiramos um som. Nós dois estávamos abertos e com sede de criar.
E como funciona essa parceria, uma vez que você e o Zegon vivem em partes diferentes do mundo?
Fizemos muita coisa juntos no primeiro disco. Ele ficava parte do tempo em Los Angeles e parte em São Paulo. Juntos, a gente produzia o que chamávamos de “beat seasons”. Ele vinha por três semanas, um mês, para gravar e começar a esboçar as faixas e ideias. Aí, quando ele precisava ir embora eu terminava as faixas, fazia os arranjos, o instrumental, e o trabalho ia e voltava. Pegava as ideias dele, adicionava algumas minhas e finaliza a música. Era um processo interessante e divertido. Nos falávamos por vídeo conferência todos os dias, eu mostrava para ele, que trincava ou não.
Em relação ao nome, vocês são realmente fãs do espaço sideral ou é só tem a ver com as iniciais North America e South America?
Somos bem fanáticos por coisas espaciais. Assisti centenas de horas de filmagens da NASA para me inspirar enquanto fazíamos o disco. Uma coisa legal que eu não parava de pensar enquanto fazia o disco, depois de assistir a um filme sobre a estação espacial internacional, era como a estação era o resultado de uma grande colaboração mundial. Todas aquelas partes diferentes, feitas em países distintos, lançadas no espaço como uma peça única. Isso me inspirou muito para fazer no disco, foi mais ou menos assim que ele foi feiro, juntando várias partes diferentes numa coisa só.




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