Video Mapping No Brasil: Tendência Ou Realidade?
Em nossos dois anos de vida já falamos de tantos projetos de video mapping que é redundância afirmar que se trata de uma tendência (ou realidade) global. Mas o que nos chamou a atenção ultimamente foi o número crescente desse tipo de projeção no Brasil, assim como de artistas e coletivos nacionais que vêm ganhando destaque internacional.
“Os brasileiros têm se destacado em eventos de VJ como Mapping Festival, VJ Torna e VLS Videomapping Trophy. Mas enquanto cresce por aqui, não é novidade lá fora, onde grandes empresas já trabalham com essa linguagem e workstations robustas e quase rústicas há quase três décadas”, conta o artista Vinícius Luz, da dupla Vjzaria, que ganhou o segundo lugar no concurso VLS Video Mapping Trophy este ano, na França. Ele explica o que seriam as projeções mapeadas antes da era tecnológica: “Grandes diretores de arte europeus são referência sendo pioneiros na linguagem, mesmo com técnicas manuais de vitrais e canhão de luz de alta intensidade, décadas passadas, quando um computador ainda não processava imagens de resolução suficiente, nem projetores digitais eram tão acessíveis como hoje”.
Mapping brasileiro
O país viveu um crescimento significativo nos últimos anos e isso contribuiu pra que o acesso a novas tecnologias e equipamentos de última geração aumentasse. Esse foi o primeiro passo para nosso universo artístico não apenas se desenvolver, mas também se tornar mais conhecido para além das fronteiras.
O paulistano Vj Spetto foi um dos primeiros a se aventurar no mapping, assim como Vinícius, da dupla Vjzaria. Eles dizem ter iniciado nessa técnica por volta de 2007 – não faz nem cinco anos. O coletivo Bijari fez seu primeiro mapping em 2009. “A possibilidade de expandir a imagem no espaço é muito contemporânea, uma vez que apenas agora temos recursos técnicos acessíveis para isso. Com o aprimoramento da técnica no Brasil e a disponibilidade de equipamentos, a tendência é de uma ‘popularização’ do uso. Entendemos que o video mapping vai estar cada vez mais presente como forma de arte e comunicação criativa”, conta João Rocha, integrante do coletivo. Eles foram os responsáveis por parar a avenida Paulista em abril deste ano, como um belo mapping na fachada do MASP, que já mencionamos por aqui.

Vinícius concorda com João sobre o aumento da produção estar ligado ao acesso a recursos técnicos, mas também lembra do interesse natural dos videografistas de ir além da produção em tela plana. “Na verdade a estrutura para se fazer video mapping se desenvolveu rapidamente e no Brasil nenhuma mega companhia de vídeo mapping foi estabelecida, e sim coletivos independentes que se firmaram como empresas nesse segmento”.
Geralmente os trabalhos são encomendados por grandes corporações, para eventos e festivais. Assim é possível viabilizar as obras, que demandam tempo, equipe especializada e esquipamentos e programas bem específicos. Mas há o caminho dos festivais internacionais que vão surgindo e eventos artísticos patrocinados. Spetto, por exemplo, encabeça o Passport VJ University, uma plataforma de workshops e performances dedicadas ao mundo do VJ que se encerra neste sábado, em São Paulo.
Na ocasião será projetado o maior video mapping do Brasil no Memorial da América Latina. “A ideia foi trazer os principais players da indústria de videoprojeção em um local onde ministrem workshops a jovens artistas e profissionais da area, como forma de dar um upgrade na cena nacional. Há uma demanda imensa de trabalhos no Brasil e precisamos estar preparados para formar uma grande indústria nacional de VideoDesign”.
Abaixo, mapping do United Vjs, coletivo de Spetto, na estação de trem Nyugati, em Budapeste, no ano passado:
O som e o meio
Pensar em cenários brasileiros não é pensar exatamente em um cenários urbanos – onde a maioria das projeções mapeadas acontecem. Será que o mapping combinaria com nossas paisagens naturais? Para Spetto, o foco é a cidade: “O mapping é uma forma que nós artistas encontramos para humanizar essas metrópoles por vezes tão cinzentas e crueis com o cidadão comum”. Mas não há como não imaginar que seriam legais grandes projeções no mar ou nas montanhas, por exemplo. Vinícius conta que já mapeou coqueiros na praia e sonha com um evento tridimensional na floresta. João pensa que locais como a Chapada Diamantina ou dos Veadeiros seriam cenários preciosos, pela grande quantidade de paredes de pedra ou espaços aquáticos. “No momento em que algum artista sentir a necessidade de dialogar com essa esfera natural, isso será possível tecnicamente e logisticamente. O trabalho do artista americano Jim Sanborn é uma referência para isso há muito tempo. Dentro de um ou dois anos teremos uma grande variedade de land-art-video-mappings!”.
Assim como o meio, o som também faz toda a diferença na produção do Mapping. “É uma obra audiovisual por excelência e só pode ser trabalhada com o desenvolvimento coordenado da trilha e do vídeo”, acredita João, do Bijari. Mas as formas de trabalhar o som dependem de cada projeto. Podem ser usados efeitos sonoros do próprio vídeo, a trilha pode ser composta antes ou depois e até mesmo acontecerem performances ao vivo em que o mapping acompanha um set aleatório.
O Maior Mapping do Brasil
A festa de encerramento do Passport United Vjs terá uma série de video mappings projetados nos espaços do Edifício da Biblioteca e no Salão dos Atos, ambos no Memorial da América Latina. “Serão mais de 300 mil ansi lumens em potência de projeção, executadas pelos artistas do UrbanScreen (Alemanha), Telenoika (Barcelona) e United VJs, inéditos no Brasil.
A festa tem início às 16h com término previsto para 00h e será gratuita. O som fica a cargo do DJ Tahira, o dj e produtor americano Larry Heard e o DJ Derrick May. Os ingressos serão distribuídos através do Facebook.




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