The Creators Project: Como a música se tornou parte da sua vida?
Antonio Pinto:
Bom, eu não venho de uma família de músicos, minha família
é de artistas. Meu pai é artista. E a música veio pelas minhas irmãs, porque
quando eu era pequeno elas adoravam músicos, entendeu? [Risos] Quando eu
tinha, sei lá, sete, oito anos, a minha irmã namorava um baixista de uma banda
e eu os acompanhava nos shows e tal. Eu adorava tocar a bateria depois do
show, e acabei ganhando uma. Na minha casa tinha piano, bateria, violão, e
eu comecei a tocar por curiosidade. Começou assim. E tinha uma outra coisa
que eu também fazia muito naquela época, eu tinha discos em casa e eu
colocava o disco pra tocar e botava umas almofadas na cadeira e fingia que
era o baterista. Eu fechava o olho, e estava num concerto. Foi mais ou menos
isso que me fez começar.

Que tipo de música você ouvia naquela época, o que te influenciou?
Eu tive três momentos importantes na minha vida em relação a ouvir música,
tudo através das minhas irmãs, que são mais velhas do que eu – desculpem,
minhas irmãs, não preciso dizer quem vocês são. [Risos] A primeira coisa foi
que ganhei três discos, um era do Weather Report, chamava Heavy Weather,
um do Stanley Clarke, e o outro, se não me engano, era o Bitches Brew do
Miles. Isso com dez anos. Então, quando comecei a ouvir aquilo abriu muito a
minha cabeça em termos de ouvir música. Eu comecei a ficar curioso para poder
pesquisar, ouvir mais coisas, e naquela época não tinha internet, tinha o vinil. Eu
tinha uma vitrolinha. Naquela época eu ganhava o disco e ouvia aquele disco à
exaustão. Tinha aquela coisa orgânica de pegar o disco, de olhar a capa, botar
o vinil, ouvir o estaladinho. E comecei a comprar disco, e comecei a pesquisar
a própria discoteca do meu pai, que era um cara que gostava muito de comprar
coisas, mas também ganhava muita coisa, então era muito extensa, muito
eclética. Eu tinha uma curiosidade “internética”, vamos dizer assim, pela música
já bem antes de existir essa facilidade que tem hoje.

Como você integrou a tecnologia em sua música?
Eu estou com 42 anos hoje, então eu acompanhei a tecnologia. Eu cresci,
musicalmente, junto com a tecnologia. O primeiro trabalho que eu fiz de
gravação, gravei de um cassete para outro cassete. Aí veio o Tascam, que era
um gravadorzinho de quatro canais. Depois veio o primeiro Sound Designer,
os primeiros programas de sequência com áudio, então o meu trabalho foi
desenvolvendo junto, caminhando junto com a tecnologia. Eu tenho a sorte
de conhecer todos os programas. Eu já trabalhei com todas as sequências, o
Logic, o Performer, o StudioVision, o Live e o Pro Tools desde o começo. Então
o meu conhecimento musical veio junto com o tecnológico, e os dois sempre
unidos para dar o resultado da música, para sair o resultado do que eu faço.

Onde você compõe suas trilhas sonoras?
Em casa. Tenho um piano em casa. Se eu trabalho com tema, costumo ficar
compondo em casa ou trago para cá, e faço aqui o que eu chamo de “tricô”
– começo a costurar a música com ela mesma e com as imagens. Com o
programa Pro Tools eu posso ver como a música vai se encaixar com a
imagem em movimento e, em seguida, vejo a música em sincronia com a
imagem . Depois eu faço o redesign, corto, monto, faço downloads e vejo como
o filme flui com a música.

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